Cursos :: Graduação

Bacharelado em Teologia

Em continuidade com a secular tradição capuchinha de ensino teológico e com os 18 anos de experiência na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana, a ESTEF, através do Curso de Teologia, se propõe a:
•Formar bacharéis em teologia para a atuação em atividades específicas do âmbito religioso e na construção de uma sociedade mais humana e cristã;
•Integrar o estudo acadêmico dos conteúdos da fé cristã com a dimensão pessoal da experiência de fé, a vivência comunitária e o compromisso social;
•Possibilitar um processo de formação a agentes sociais e eclesiais oportunizando condições de  atualização e aprofundamento teológico, pastoral e espiritual;
•Estimular o desenvolvimento do espírito científico e a produção teológica através do aprofundamento dos conteúdos da fé cristã-católica em diálogo com outras tradições cristãs, outras religiões e as ciências;
•Propiciar um espaço de estudo e cultivo da tradição teológica e espiritual franciscana.

Cordenação:

Prof. Me. José Bernardi

Projeto Pedagógico:

PRESSUPOSTOS BÁSICOS DO CURSO
A Teologia como estudo de preparação ao ministério sacerdotal, no âmbito da Igreja Católica Romana, está presente no Rio Grande do Sul há mais de um século e sempre com marcada presença franciscano-capuchinha. Os Frades Menores Capuchinhos, chegados da França há oito anos apenas, assumem em 1903 a direção e a docência filosófica e teológica no Seminário Diocesano de Porto Alegre. Ao mesmo tempo, atendendo às necessidades da formação de seus próprios candidatos brasileiros e de estudantes capuchinhos que chegavam da França, iniciaram, em Garibaldi, um curso próprio de Teologia.
O Seminário de Porto Alegre exigindo as melhores atenções, a urgência pastoral missionária e a precariedade dos textos deixaram a Teologia de Garibaldi sob o risco de improvisação, não obstante os sacrifícios enormes para levar adiante a formação teológica.
Até 1950, sem interrupção, e já com docentes brasileiros formados em Roma, este curso de Teologia continuou formando para o presbiterato. A partir desta data, e começando com o quarto ano, o curso foi gradativamente sendo transferido para Porto Alegre a fim de facilitar contatos pastorais diversos e a realização de estudos afins.
Nesse mesmo período, as dioceses católicas do Rio Grande do Sul, que haviam retirado seus seminaristas do Seminário de Porto Alegre para estudar com os Jesuítas em São Leopoldo, instituem um curso de Teologia em Viamão. Ao entrar a década de 60, havia, no Rio Grande do Sul, quatro instituições de Teologia católica: a destinada à formação dos seminaristas das dioceses católicas em Viamão, a dos Frades Menores Capuchinhos em Porto Alegre, dos Jesuítas em São Leopoldo e dos Padres Palotinos em Santa Maria.
Os estudos seguiam, normalmente, as orientações do Concílio de Trento, do Catecismo Romano, dos manuais clássicos para cada matéria, das Encíclicas e do Magistério papal. O desempenho ministerial do clero, os sacramentos, a devoção popular, a polêmica antimoderna e antiprotestante, foram traços marcantes nesse modelo de Teologia.
A década de 1960 foi marcada por fatos novos. A sociedade brasileira – principalmente nos centros urbanos – entra num processo acelerado de modernização. A economia é marcada pelo desenvolvimentismo e a política pelas tentativas de transformação estrutural das relações sociais. Movimento esse que culmina, em termos de América Latina, com uma reação conservadora que impõem governos autoritários e ditatoriais. No âmbito da Igreja Católica, o Concílio Vaticano II, com a respectiva recepção latino-americana na Conferência de Medellín, é um marco em direção ao diálogo com o mundo e a sociedade moderna. Novas experiências eclesiais são ensaiadas: Movimentos de Igreja, Comunidades Eclesiais de Base, engajamento da Igreja com a problemática social, Pastoral de Conjunto, Campanha da Fraternidade... Em conseqüência, a Teologia também é levada a uma profunda renovação, tanto nos seus métodos como nos seus conteúdos. O partir da realidade e a mediação das Ciências Humanas são valorizados como componentes do fazer teológico. Os manuais de teologia são abandonados e começa a elaboração de ensaios de renovação em todos os âmbitos da teologia. O título Teologia da Libertação é o guarda-chuva sob o qual se abrigam todas as tentativas de renovação.
No Rio Grande do Sul, um dos efeitos da mudança foi a necessidade de reunir forças novas para dar resposta aos novos tempos. Com essa finalidade criou-se, no final da década de 60, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, um Curso de Teologia que daria título de bacharelado e licenciatura. Todas as Dioceses católicas e a maior parte dos Institutos Religiosos do Rio Grande do Sul – capuchinhos inclusive - uniram-se em torno a esse novo desafio. Os Padres Palotinos e os Jesuítas continuaram com seus cursos próprios, mas prestaram colaboração com professores. Uma das novidades foi a presença feminina e leiga nas turmas de estudantes.
O novo curso de Teologia, marcadamente pós-conciliar, entrosada com a renovação geral da Igreja e da Teologia, ganhou força, tanto em qualidade como em número. Mas também aos poucos, os novos estudos e métodos de abordagem da escritura, o desenvolvimento da Teologia da Libertação, a pastoral popular na formação de Comunidades Eclesiais de Base, a emergência de movimentos populares de reivindicação social e contestação da ditadura militar vigente, criaram tensões, questionamentos e buscas tanto no campo eclesial como teológico. No final da década de 1970 e, sobretudo no início da década de 1980, observa-se no meio teológico um início de crise e fragmentação, seja na relação entre o ambiente teológico e a instituição eclesial, entre professores e alunos, entre professores e entre os próprios alunos. Os Jesuítas deslocam seus estudos teológicos para Belo Horizonte. A Arquidiocese de Porto Alegre planeja reabrir um curso próprio de Teologia em Viamão, o que acaba acontecendo em 1985. As dioceses católicas do Interdiocesano Noroeste, em busca de maior realismo pastoral, abrem seu próprio Instituto de Teologia e Pastoral em Passo Fundo (ITEPA). A Diocese de Santo Ângelo fez o mesmo em seguida, criando o Instituto Missioneiro de Teologia (IMT). As dioceses de Pelotas, Rio Grande e Bagé criam o Instituto Paulo VI em Pelotas.
Os Frades Menores Capuchinhos juntamente com os Frades Menores e Institutos de Vida Consagrada feminina de tradição franciscana, neste momento de crise e busca, começam conversações visando uma formação teológica marcadamente franciscana e não clericalmente direcionada. Em termos de Vida Religiosa, deseja-se uma formação mais prática, em pequenas fraternidades e com inserção em meios populares. No que tange à teologia, aspira-se a uma maior flexibilidade e pela possibilidade de uma interação maior entre professores e alunos e da comunidade teológica com os movimentos sociais, as comunidades eclesiais e pastorais populares. Na perspectiva franciscana, um novo modo de ser Igreja que partisse das bases populares e com elas comprometidas.
Neste contexto, os Frades Menores Capuchinhos do Rio Grande do Sul intensificam a preparação de um corpo de professores de Teologia. No Capítulo Provincial de 1984 foi apresentado e aprovado o projeto da Escola de Teologia e Espiritualidade Franciscana. Seguindo as Diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para a formação teológica de presbíteros, o Curso de Teologia começou a funcionar no prédio do Convento São Lourenço de Bríndisi em março de 1986. Em setembro do mesmo ano foi inaugurado o prédio próprio para os estudos teológicos. A maioria dos estudantes é composta por formandos de Congregações Religiosas Masculinas – maiormente de inspiração franciscana – e por formandas e religiosas de diversas congregações religiosas femininas. A presença de leigos/leigas é constante, mas minoritária.
Além da Graduação em Teologia (Curso Livre) a ESTEF, a partir de 1992, começa a oferecer cursos de capacitação teológica para lideranças eclesiais. Num primeiro momento, estes cursos são oferecidos na própria sede da Escola. O êxito de tal iniciativa faz com que Paróquias e dioceses do interior do Estado passem a solicitar a assessoria da Estef para a formação de suas lideranças. Cursos de capacitação – normalmente com a duração de 240 horas/aula – são oferecidos em Santa Maria, Rio Grande, Tramandaí, Santo Antônio da Patrulha, Pelotas, Torres, Bagé, Soledade e Canoas.
As Semanas Acadêmicas, palestras, debates, congressos e outras atividades realizadas no âmbito da Escola mas abertos a toda a comunidade são um outro modo pelo qual a comunidade teológica marca uma presença significativa no âmbito da Vida Religiosa, da Igreja e da sociedade.
Em todo este período, o título de Bacharel em Teologia era conferido nos termos do Decreto-Lei 1.051/69 como Curso Livre de Teologia.
O Parecer CES/CNE nº 505/99, de 19/05/99 modificou a situação legal dos Cursos de Teologia reconhecendo os Cursos de Bacharelado em Teologia como curso de graduação. O fundamento para tal foi encontrado no Parecer n.º 241/99, de 15/03/99, da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação a qual admite que O Estado não pode impedir ou cercear a criação desses Cursos (Bacharelado em Teologia)...
Segundo o relator do referido Parecer (CES/CNE nº 505/99, de 19/05/99), o não reconhecimento oficial dos cursos de Teologia como cursos Superiores priva os seus estudantes - ministros religiosos ou não - dos direitos e privilégios concedidos legalmente aos profissionais formados em outras áreas. É, portanto, de todo recomendável que esta situação discriminatória seja corrigida.
Visando enquadrar o Curso de Teologia à nova situação legal de modo que os egressos possam usufruir dos benefícios legais decorrentes, a Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul, mantenedora da Escola através de sua pessoa jurídica – Associação Literária São Boaventura – inicia estudos para os devidos encaminhamentos junto ao Ministério da Educação

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